quarta-feira , 20 setembro 2017
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Pedido de prisão preventiva de Aécio Neves é reiterado por Janot

Janot afirma que há muitas provas que comprovam a necessidade da manutenção do pedido de prisão preventiva de Aécio

O pedido de prisão do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) foi reiterado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, nesta sexta-feira (9). Janot também reafirmou a manutenção da prisão da irmã de Aécio, Andrea Neves, o primo, Frederico Pacheco e o assessor parlamentar e cunhado do senador Zeze Perrela (PMDB-MG), Mendherson Souza Lima.

Em resposta a recursos, o procurador-geral da República ressalta a alta gravidade do delito e o risco de reiteração como justificativa para manter sua posição. “São muitos os precedentes do Supremo Tribunal Federal que chancelam o uso excepcional da prisão preventiva para impedir que o investigado, acusado ou sentenciado torne a praticar certos delitos enquanto responde a inquérito ou processo criminal, desde que haja prova concreta do risco correspondente”, declarou ele.

Segundo Janot, a prisão do senador afastado é a única maneira de salvaguardar a ordem pública e a própria instrução criminal. “Isso porque, além da possibilidade concreta de prática de novos delitos por parte dos requeridos, há o risco grave e concreto de que ações criminosas já iniciadas pelo senador Aécio Neves, para embaraçar as investigações em curso no âmbito do Supremo Tribunal Federal – relacionadas à organização criminosa da Operação Lava Jato – atinjam seu objetivo”, afirmou.

As transcrições das conversas entre os envolvidos são suficientes, para Janot acreditar que Andrea Neves, Frederico de Medeiros e Mendherson Souza Lima tiveram envolvimento nos negócios escusos feitos pelo senador afastado.

“Andrea Neves e Frederico de Medeiros trataram diretamente com Joesley Batista e Ricardo Saud, respectivamente, sobre a solicitação de propina no valor de R$ 2 milhões, ocorrida no ano em curso”, afirmou ele.

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Para Janot, Andrea e Medeiros devem ser considerados protagonistas nos delitos do senador afastado. “A relação espúria que os une é muito anterior ao episódio mais recente de corrupção, e as provas colhidas demonstram que há um risco concreto de que, caso não sejam mantidos presos, reiterem nas graves condutas delitivas e possam destruir eventuais provas existentes em relação aos fatos ilícitos envolvendo Aécio Neves e ainda não totalmente esclarecidos”.

Crimes

Segundo o procurador-geral da República, não se pode descartar a hipótese de possibilidade de crime continuado, com “probabilidade de que a lavagem de parte dos R$ 2 milhões recebidos da propina paga recentemente pela J&F, com participação direta de todos os requeridos, ainda esteja em curso”.

Janot também ressalta que durante as gravações ambientais e interceptações telefônicas autorizadas pelo ministro do STF Edson Fachin, é certo que Aécio estava “adotando, constante e reiteradamente, estratégias de obstrução de investigações da Operação Lava Jato, seja por meio de alterações legislativas para anistiar ilícitos ou restringir apurações, seja mediante interferência indevida nos trabalhos da Polícia Federal, seja através da criação de obstáculos a acordos de colaboração premiada relacionados ao caso”.

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