sexta-feira , 22 setembro 2017
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‘Não tem vínculo com delação premiada’, diz delegado sobre morte do filho de ex-prefeito

José Rover, a esposa Lizangela e o filho do casal, Luiz, na campanha eleitoral de 2012,  quando ele tinha 16 anos  (Foto: Facebook/Reprodução)

José Rover, a esposa Lizangela e o filho do casal, Luiz, na campanha eleitoral de 2012, quando ele tinha 16 anos (Foto: Facebook/Reprodução)

A Polícia Civil de Vilhena (RO) declarou na manhã deste sábado (26) que, a princípio, a morte do estudante Luiz Eduardo Silva Rover, de 21 anos, não tem envolvimento com a delação premiada que o pai dele, José Luiz Rover (PP), fez à Justiça. O ex-prefeito foi preso durante o segundo mandato, em novembro de 2016, e solto em junho deste ano. Ele é acusado de vários crimes, entre eles, corrupção e lavagem de dinheiro.

O crime aconteceu na noite de sexta-feira (25), no Bairro Jardim Eldorado, e foi registrado pela Polícia Militar (PM) como latrocínio – roubo seguido de morte. Um suspeito de 22 anos foi preso logo após o roubo. O outro suspeito de envolvimento na morte, um adolescente de 15 anos, foi apreendido na manhã deste sábado (26), em uma casa do Bairro Marcos Freire.

Perícia esteve no local buscando elementos para as investigações (Foto: Renato Barros/Arquivo pessoal)Perícia esteve no local buscando elementos para as investigações (Foto: Renato Barros/Arquivo pessoal)

Perícia esteve no local buscando elementos para as investigações (Foto: Renato Barros/Arquivo pessoal)

Depois de ouvir os suspeitos e os policiais envolvidos na ocorrência, o delegado titular da Delegacia Especializada na Repressão de Crimes Contra a Vida (DERCCV), Núbio Lopes de Oliveira, afirma que, em um primeiro momento, não há indícios que relacione a morte do jovem com a vida política de Rover.

Segundo Oliveira, por enquanto, a principal linha de investigação do crime é latrocínio. “A Polícia Civil não descarta nenhuma possibilidade, desde que cheguem elementos que modifiquem a roupagem da investigação”, diz.

“Não há, até o instante, qualquer elemento que aponte que o fato foi decorrente da situação política do pai e sim, decorrente do desdobramento de um assalto. Não tem nenhum vínculo com delação premiada”, enfatiza Oliveira.

A arma de fogo que teria sido utilizada no crime, foi apreendida com o primeiro suspeito. Já com o adolescente, a Polícia Civil encontrou um celular roubado de uma das pessoas que estava na casa.

O jovem foi indiciado por latrocínio e levado para a Casa de Detenção do município. O adolescente vai responder por ato infracional equiparado a latrocínio, e foi encaminhado para a Casa da Cidadania.

Pelos dados levantados até o momento, a Polícia Civil acredita que o jovem de 22 anos tenha sido o autor dos disparos. As investigações do caso continuam.

Crime

Em depoimento na delegacia de Polícia Civil, o rapaz de 22 anos contou que morava em Tangará da Serra (MT) e veio há poucos dias morar com a mãe em Vilhena. Ele relatou que saiu, juntamente com um comparsa, para fazer um assalto à residência durante a noite.

Eles estavam de bicicleta e viram que na casa do ex-prefeito havia uma confraternização, então decidiram vigiar o local. Observaram quando a vítima retornou para casa, depois de ir comprar cerveja com um amigo, dirigindo uma caminhonete. Eles aproveitaram o momento em que o estudante abriu o portão, entraram na residência e anunciaram o roubo.

Velório acontece na Câmara de Vereadores de Vilhena (Foto: Eliete Marques/G1)Velório acontece na Câmara de Vereadores de Vilhena (Foto: Eliete Marques/G1)

Velório acontece na Câmara de Vereadores de Vilhena (Foto: Eliete Marques/G1)

Pessoas que estavam na casa teriam reagido ao assalto e, por isso, ele teria atirado. Segundo o apurado, o criminoso disparou duas vezes, e um dos tiros atingiu o pescoço da vítima, que morreu logo após dar entrada no Hospital Regional.

O corpo está sendo velado na Câmara de Vereadores de Vilhena. Amigos da família informaram que o sepultamento foi transferido para a manhã de domingo (27).

Delação premiada

O advogado Josemário Secco, que defende Rover, explicou em entrevista ao G1 no início deste mês que a delação do cliente foi negociada por sete meses com o Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPE).

As negociações começaram antes de Rover ser preso. O procedimento de colaboração foi concluído e assinado pelo delator, defesa e representantes dos Ministérios Públicos. Em seguida, a delação foi encaminhada para o Supremo Tribunal Federal (STF), pois envolve pessoa com foro privilegiado.

Segundo a defesa, ainda não há previsão de quando o documento será homologado. A delação segue em segredo de Justiça.

Condenação

Rover foi condenado a oito anos e seis meses de prisão, no início deste mês, em um dos processos pelo qual responde. Neste caso, ele e outros agentes públicos são acusados de solicitarem vantagem indevida a um empresário da cidade, sob a promessa de que diminuiriam a dívida tributária da empresa da suposta vítima. O esquema teria ocorrido entre 2014 e 2015.

O ex-prefeito foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O juízo concedeu o direito de Rover responder em liberdade. A defesa está recorrendo da decisão.

Ex-prefeito de Vilhena, José Rover, foi preso pela Polícia Federal (Foto: Aline Lopes/G1)

Ex-prefeito de Vilhena, José Rover, foi preso pela Polícia Federal (Foto: Aline Lopes/G1)

Prisão

José Luiz Rover foi prefeito por duas vezes em Vilhena. Ele foi eleito em 2008 com 18.944 votos e reeleito em 2012, com 19.649. No fim do segundo mandato, ele foi preso na Operação Áugias, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

As investigações apontaram que Rover era o chefe de uma organização criminosa que atuava no poder executivo. As autoridades estimam que mais de R$ 5 milhões tenham sido desviados da prefeitura em seis anos. No esquema, participavam ex-secretários municipais, servidores e empresários.

O dinheiro era desviado principalmente da Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) e da Secretaria Municipal de Obras (SEMOSP), mediante processos administrativos de reconhecimento de dívidas, nos quais empresas eram contratadas sem licitação.

Rover foi levado para o Centro de Correição da Polícia Militar em Porto Velho. Com o fim do mandato, o político deixou de ter foro privilegiado e deveria ser transferido para a Casa de Detenção do município, mas a defesa entrou na Justiça para pedir que Rover continuasse preso na capital.

Em junho deste ano ele teve a prisão preventiva substituída por medidas cautelares, entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica.

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