quarta-feira , 18 outubro 2017
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Joesley Batista emite nota em nome de JBS e pede desculpas aos brasileiros

No texto, Joesley Batista admite pagamentos irregulares a agentes públicos e lamenta relações de suas empresas com as autoridades, pedindo desculpas

Joesley Batista, o empresário que abalou o governo Temer
Reprodução/Facebook

Joesley Batista, o empresário que abalou o governo Temer

Algumas horas após o Supremo Tribunal Federal (STF) liberar a divulgação do áudio em que o empresário Joesley Batista aparece conversando com o presidente Michel Temer, nesta quinta-feira (18), uma nota à imprensa em nome da JBS foi apresentada.

O texto do proprietário do frigorífico admite as irregularidades cometidas e pede desculpas aos brasileiros. Nos diálogos gravados pelo empresário e apresentado em sua delação, Joesley Batista revela pagamentos indevidos a agentes públicos e lamenta as relações de suas empresas com autoridades.

“Não honramos nossos valores quando tivemos que interagir, em diversos momentos, com o Poder Público brasileiro. E não nos orgulhamos disso. Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos”, informou em nota.

A conversa gravada entre o proprietário da companhia alimentícia e Temer tem pouco menos de 40 minutos, e o diálogo gira em torno do cenário político, avanços na economia e a situação do ex-deputado Eduardo Cunha, preso na Operação Lava Jato.

Joesley também declara no documento que as mudanças no país também refletiram nas mudanças da empresa. “Por isso estamos indo além do pedido de desculpas. Assumimos aqui um compromisso público de sermos intolerantes e intransigentes com a corrupção.”

O texto também confirma que foram assinados acordos que cooperam com o Ministério Público. “Pedimos desculpas a todos os brasileiros e a todos que decepcionamos, que acreditam e torcem por nós. Enfrentaremos esse difícil momento com humildade e o superaremos acordando cedo e trabalhando muito”, conclui o empresário.

Áudio

A gravação liberada pelo STF conta, na íntegra, a conversa entre Temer e Joesley. O arquivo foi usado como prova na delação premiada do empresário à Procuradoria-Geral da República.

Aos 10 minutos e 15 segundos, é possível ouvir Joesley falando: “Eu, dentro do possível, fiz o máximo que deu ali, zerei tudo do que tinha de alguma pendência”. Pouco depois, aos 11’15”, o empresário diz: “O negócio dos vazamentos… o telefone lá do Eduardo com o Geddel. Volta e meia citavam alguma coisa meio tangenciando a nós, a não sei o que. Eu estou lá me defendendo”.

Um dos trechos mais polêmicos pode ser ouvido na faixa de 11’30”. O dono da JBS fala ao presidente: “O que eu mais ou menos estou fazendo até agora? Eu estou de bem com o Eduardo…” e é interrompido por Temer, que diz: “Tem que manter isso, viu?”.

O presidente da República já anunciou, antes do áudio ser divulgado, que não iria renunciar o cargo.

Veja transcrição de trecho completa

Joesley Batista: Queria primeiro dizer: estamos junto aí. O que o senhor precisar de mim, viu, me fala. Queria te ouvir um pouco, presidente. Como tá nessa situação toda, Eduardo, não sei o que, Lava Jato.

Michel Temer : O Eduardo resolveu me fustigar. Você viu que… Eu não tenho nada a ver com a defesa. O Moro indeferiu 21 perguntas dele que não tem nada a ver com a defesa dele. Era pra amedrontar. Eu não fiz nada [inaudível] no Supremo Tribunal Federal. [inaudível] Ele está aí, rapaz… É… [inaudível]

Joesley : Eu queria falar assim. Dentro do possível, eu fiz o máximo que deu ali, zerei tudo, o que tinha de alguma pendência daqui para ali, zerou tudo. E ele foi firme em cima e já estava lá, veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto. Acelerei o passo e tirei da fila. [Inaudível] O outro menino, companheiro dele que tá aqui, né? [Inaudível] O Geddel sempre estava… [barulho] O Geddel é que andava sempre ali, mas o Geddel também, com esse negócio, eu perdi o contato porque ele virou investigado, agora eu não posso, também…eu não posso encontrar ele.

Temer:  É, cuidado, vai com cuidado. [inaudível] Não parecer obstrução da Justiça [inaudível].

Joseley:  Agora… o negócio dos vazamentos. O telefone lá [inaudível] com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, e não sei o que. Eu estou lá me defendendo. Como é que eu… o que é que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora. Eu tô de bem com o Eduardo, ok…

Temer: Tem que manter isso, viu… [Inaudível]

Joesley: Todo mês. Também. Eu estou segurando as pontas, estou indo. Esse processo, eu estou meio enrolado aqui no processo, assim [inaudível]…

Joesley : É investigado. Eu não tenho ainda denúncia. Então, aqui eu dei conta de um lado do juiz, então eu dei uma segurada, do outro lado do juiz substituto que é um cara que ficou…

Temer: Está segurando os dois…

Joesley : É, estou segurando os dois. Então eu consegui um procurador dentro da força tarefa que também está me dando informação. E lá que eu estou para dar conta de trocar o procurador que está atrás de mim. Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal, e o lado ruim é que se vem um cara com raiva, com não sei o quê.

 Temer:  [Inaudível].

Joesley:  O que está me ajudando, tá bom, beleza. Agora, o principal… Tem o que está me investigando. Eu consegui colar um no grupo. Agora eu tô tentando trocar…

 

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