sábado , 25 novembro 2017
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Filho acusa governo de Malta de ser cúmplice de morte de blogueira: ‘É guerra’

VALETA — O filho da blogueira maltesa que morreu nesta segunda-feira após acusar o governo do país de corrupção comparou a explosão do carro de Daphne Caruana Galizia, de 53 anos, a um ato de guerra. “Trágico é quando alguém é atropelado por um ônibus. Quando há sangue e fogo po sua volta, é guerra. Nós somos pessoas em guerra contra o Estado e o crime organizado, que se tornaram indissociáveis”, ressaltou Matthew Caruana Galizia. Um dos três herdeiros da jornalista, ele associou a perda ao trabalho investigativo da parente, que a colocara “entre a lei e os que buscam violar a lei”.

“Nunca vou esquecer eu correndo pelo inferno, tentando achar uma maneira de abrir a porta (do carro). A buzina ainda soava, eu gritava com dois policiais que chegaram com um simples extintor de incêndio. Eu olhei e havia partes da minha mãe em mim. Não havia esperança (…) Sim, incompetência e negligência resultaram no fracasso de prevenir isso”, frisou Matthew, que culpou a cultura de impunidade, segundo ele, perpetrada pelo governo e citou nominalmente autoridades como cúmplices e responsáveis pelo crime.

Acusado de integrar o escândalo de fraude fiscal do Panama Papers, o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, chamou o assassinato de “barbárie” e ordenou uma investigação criminal. Ele reconheceu que a blogueira era sua crítica, mas considerou o crime “injustificável”. Já Matthew chamou o premier de “palhaço” por assim se manifestar sobre uma mulher que “demonizou e assediou por mais de uma década”.

Especialistas Peritos analisam cena do crime – DARRIN ZAMMIT LUPI / REUTERS

O filho da blogueira ainda denunciou que um dos investigadores, identificado como Ramon Mifsud, postou no Facebook após a tragédia: “Todos recebem o que merecem, esterco de vaca. Estou feliz”. A postagem não está disponível no perfil de Mifsud, mas uma reprodução roda o Facebook com críticas à postura do policial. Caruana Galizia havia aberto uma queixa por ameaças de morte há duas semanas, segundo o “Malta Independent”.

Matthew reforçou que o Estado era uma “máfia” e que a mãe foi explodida por exercer suas liberdades básicas. “Se as instituições estivessem funcionando, não havia assassinato para investigar – e meus irmãos e eu ainda teríamos uma mãe (…) Joseph Muscat, Keith Schembri, Chris Cardona, Konrad Mizzi, o procurador-geral e uma longa lista de policiais que não fizeram nada: vocês são cúmplices”, apontou.

A família ainda entrou na Justiça para pedir a mudança do magistrado nomeado à investigação. Tratava-se de Scerri Herrera, que já havia sido alvo de uma reportagem crítica de Daphne Caruana Galizia e aberto investigações contra a blogueira. Ela decidiu repassar o inquérito.

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