sexta-feira , 22 setembro 2017
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Eduardo Cunha se vê pressionado por Funaro e pode travar ‘corrida’ por delação

Eduardo Cunha e Lúcio Funaro: ex-deputado e doleiro atuaram juntos em esquema no FI-FGTS, segundo investigações

A antes tão falada possibilidade de o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB)  firmar acordo de delação premiada com a força-tarefa de procuradores da Lava Jato hoje corre risco de não despertar mais o interesse dos investigadores. Isso em razão das movimentações do consultor, lobista e doleiro Lúcio Funaro , que contratou na semana passada o escritório do advogado Antonio Figueiredo Basto, especialista em delações premiadas responsável pelo acordo do doleiro Alberto Youssef com o Ministério Público Federal.

Preso desde julho do ano passado no Complexo Prisional da Papuda, em Brasília, Lúcio Funaro é apontado como operador de propinas de Eduardo Cunha em diversos esquemas de corrupção. Os dois aparecem, por exemplo, nas delações dos irmãos Wesley e Joesley Batista, donos do grupo JBS, e de executivos da J&F, holding empresarial que integra a JBS. Funaro e Cunha também estão juntos na lista de réus de ação penal sobre esquema nas obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro.

A estreita relação entre os dois e o amplo conhecimento de Lúcio Funaro acerca do repasse de propinas oriundas do petrolão a agentes do PMDB podem enfraquecer o poder de negociação de Cunha com os procuradores da Lava Jato .

O ex-deputado federal corre o risco de cair na mesma situação que o ex-diretor da Área de Serviços da Petrobras Renato Duque, que hoje até já ‘levou bronca’ do MPF por tentar forçar um acordo  de colaboração premiada.

Enquanto os ex-diretores da Petrobras envolvidos em repasses a agentes do PP (Paulo Roberto Costa) e ao PMDB (Nestor Cerveró) já gozam de vantagens obtidas em razão de suas colaborações com a Justiça, Renato Duque, que atuava na diretoria responsável por repasses ao PT, segue preso há mais de dois anos. Isso porque outra pessoa que detinhas as mesmas informações que ele, no caso o ex-gerente Pedro Barusco (subordinado a Duque), fechou acordo antes de seu ex-chefe. Barusco hoje está livre e utiliza tornozeleira eletrônica.

Cunha está sem advogado

Antes de discutir um acordo de delação premiada, Cunha avalia ainda um novo advogado para tomar a frente de sua defesa em processos da Lava Jato. O advogado Marlus Arns, seu antigo defensor, abandonou Cunha logo após a divulgação das conversas entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, no mês passado.

Tanto o ex-deputado quanto Lúcio Funaro são mencionados no controverso diálogo, que na análise da Procuradoria-Geral da República, expõe um plano de Joesley para a compra do silêncio dos dois – com a anuência de Temer.

Caso concretize o acordo de delação premiada, o operador de Eduardo Cunha também poderá esclarecer episódio envolvendo o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e José Yunes, ex-assessor especial de Michel Temer. Segundo Yunes, Lúcio Funaro esteve em seu escritório em São Paulo para receber um “pacote” deixado no local a pedido de Padilha em 2014. Esse pacote continha, segundo delatores da Odebrecht, valores de caixa dois que haviam sido combinados com diretores da construtora em jantar no Palácio do Jaburu.

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