domingo , 17 dezembro 2017
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Caso Garotinho: PF faz buscas na casa de réu investigado por tentar subornar juiz para evitar prisão de ex-governador

RIO – A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta quarta-feira, mandado de busca e apreensão na casa do ex-procurador da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes Luiz Felippe Klem. Aliado de Anthony Garotinho, que está em prisão domiciliar, ele é suspeito de ter oferecido um suborno de até $ 5 milhões ao juiz Glaucenir de Oliveira para evitar a prisão do ex-governador e de seu filho, Wladimir Matheus, supostamente a mando de Garotinho. A tentativa, feita por meio de dois empresários, ocorreu em novembro do ano passado e não se concretizou — em seguida, o magistrado denunciou o caso. À época, Oliveira atuava na Operação Chequinho, cujas investigações levaram o ex-governador à reclusão domiciliar.

Klem não estava em casa — a PF foi informada por familiares que ele veio ao Rio — e foi intimado a comparecer até esta quinta-feira à Superintendência da PF em Campos. Foram recolhidos documentos e equipamentos eletrônicos. O ex-procurador se tornou réu por corrupção ativa na ação que apura a tentativa de pagamento de propina. Na decisão que recebeu a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ) e autorizou o cumprimento do mandado, o juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral de Campos, afirma que o “réu (Klem) tinha contato direto com os beneficiários da tentativa de corrupção em voga”.

Um relatório da PF, que deu sustentação às investigações, reforça os laços entre Klem e Garotinho com base em interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. Em um dos diálogos, o ex-governador diz: “Eu sou frontal. Eu não tenho ninguém que me ache mais ou menos. Ou me ama ou me odeia”. O ex-procurador responde: “Eu amo”. Klem era homem de confiança do então presidente da Câmara de Campos, o vereador Edson Batista, também próximo a Garotinho.

De acordo com a investigação, Klem tentou subornar o juiz em duas ocasiões, em novembro do ano passado, pouco antes de Garotinho ser preso pela primeira vez – a prisão, depois, foi revogada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE): primeiro por meio do empresário Abdu Neme Jorge Makhluf; depois, por meio do empresário Thiago Pereira.

— Provas que temos são categóricas em relação ao Klem e que a proposta foi feita em nome do grupo político do Garotinho e para beneficiar o Garotinho. Posso afirmar que houve o crime, feito por pessoa umbilicalmente ligada a ele (o ex-governador). Não é possível dizer categoricamente, neste momento, que o Garotinho tenha encomendado a proposta de suborno — explicou o delegado Paulo Cassiano.

Na conversa com Neme, narra o MP, o ex-procurador teria oferecido R$ 5 milhões e dito que o “céu era o limite” – o empresário é amigo do magistrado que foi alvo da tentativa de corrupção. No segundo encontro, este com Pereira, Klem teria oferecido R$ 1,5 milhão. Os dois interlocutores foram clientes de Klem no período em que ele manteve um escritório de advocacia.

“Os contatos realizados pelo denunciado (Klem) não foram desprovidos de uma estratégia odiosa e reprovável, pois o denunciado se valeu do fato de ter acesso às testemunhas, porque foram seus clientes no escritório de advocacia, e também de saber que essas mesmas testemunhas tinham acesso ao magistrado, a ponto de fazer chegar o recado, sem alarde e sem maiores consequências”, escreveram os promotores.

O ex-procurador teve a prisão preventiva pedida, mas a decisão converteu o pedido em medidas cautelares. Ele terá que ficar em casa nos finais de semana; não poderá ir à Câmara ou a qualquer dependência da prefeitura, salvo para resolver assuntos relacionados a impostos; foi proibido de manter contato com as testemunhas e réus de todos os processos relacionados com a Operação Chequinho; precisará comparecer à Justiça uma vez por mês; não poderá se ausentar de Campos por mais de cinco dias sem autorização.

Em nota, o advogado Carlos Azeredo chamou as suspeitas de envolvimento de Garotinho na tentativa de suborno de “infundadas, ultrapassando as raias da leviandade”. Segundo o defensor, os fatos “só podem ser fruto da obsessão que autoridades e determinados segmentos de Campos dos Goytacazes têm em justificar um processo marcado por arbitrariedades”. Azeredo acrescentou que “não há uma prova sequer no inquérito da PF que comprove o envolvimento de Garotinho com essa suposta e, ao que parece, inverídica, tentativa de suborno”.

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