domingo , 24 setembro 2017
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Após Lava-Jato, ex-presidente do TCE é citado em fraude no Detran

RIO – Aloysio Neves, presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE), sabia de um esquema de corrupção no posto do Detran em Magé, na Baixada Fluminense, segundo o Ministério Público estadual. Durante investigações do Grupo de Apoio e Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), promotores tiveram acesso a conversas telefônicas entre ele e André Vinícius Gomes da Silva, preso ontem na operação Asfalto Sujo 2. Aloysio, de acordo com a denúncia, mantém um “relacionamento íntimo afetivo” com André Vinícius, acusado de comandar a cobrança de propinas na unidade de vistorias.

André Vinícius foi secretário de Urbanismo de Magé na gestão do prefeito Nestor Vidal, com quem também mantinha conversas. Segundo as investigações, o acusado foi “o comandante” do posto entre abril de 2013 e outubro de 2014 e, como tal, recebia uma cota referente à arrecadação com atividades escusas. Ainda de acordo com o MP, ele se valia do relacionamento com Aloysio para obter favorecimentos na análise das contas e dos contratos do município de Magé e influenciar nomeações no Detran.

As conversas foram interceptadas pela 65ª DP (Magé), que encerrou o inquérito em 2015 sem mencionar um possível envolvimento do ex-presidente do TCE nas irregularidades. Na gravação de uma ligação, obtida pelo “RJ TV”, da Rede Globo, Aloysio cita o secretário estadual de Governo de Luiz Fernando Pezão, Affonso Monnerat.

“Quando eu falar uma coisa para você, me escuta, porque sempre contesta o que eu digo. É algo que você já sabe, sabe que minha boca, quando fala, ela previne. Eu vou ligar para esta p* desse Monnerat e vou passar um e-mail pelo telefone. Agora, vamos aguardar esse desfecho”, diz Aloysio, em um diálogo obtido pelo M

VINTE E QUATRO DENUNCIADOS

A investigação começou a partir de uma denúncia da Corregedoria do Detran. Havia, no posto de Magé, um esquema para liberar vistorias de carros irregulares e fraudar emissões de documentos. Pelos “serviços”, eram cobrados de R$ 100 a R$ 2 mil. André Vinícius atuou como “despachante” da prefeitura de Magé no TCE. Ele foi assessor no gabinete de Aloysio Neves, e seu último salário chegou a quase R$ 32 mil. O acusado vivia numa mansão com piscina e boate. Na garagem, foi apreendido um carro avaliado em R$ 200 mil.

Aloysio, que chegou a ser preso e hoje responde em liberdade a outras acusações de receber propina em esquemas chefiados pelo ex-governador Sérgio Cabral, descoberto pela Lava-Jato, tem foro privilegiado. Por isso, o MP encaminhou ontem à Procuradoria-Geral da República informações da possível prática de ilícito penal por parte do ex-conselheiro. O MP pediu à Corregedoria da Polícia Civil que investigue o delegado Robson da Costa Ferreira e o inspetor Wagner de Marins, que estiveram à frente do caso. O órgão alega que os áudios, embora fossem do conhecimento da polícia, não tinham sido anexados aos autos do inquérito. Já a eventual prática de improbidade administrativa do ex-conselheiro do TCE e do ex-prefeito de Magé será apreciada pela Procuradoria-Geral de Justiça.

Ao todo, 24 pessoas foram denunciadas. Ontem, agentes cumpriram três mandados de prisão e 45 de busca e apreensão. Dois ex-chefes do Detran de Magé, Paulo Cesar Batista Vaz e Alexandre Bento Rangel Pinto, foram presos. Segundo o Detran, eles eram terceirizados e já não trabalham no órgão. O secretário Affonso Monnerat não quis comentar o caso. O delegado e o inspetor negaram qualquer irregularidade.

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