domingo , 17 dezembro 2017
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Aliados admitem cenário pior para presidente no Congresso

BRASÍLIA – Está em alta, no Congresso, a ansiedade em torno da chegada de uma nova denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente Michel Temer. Líderes aliados na Câmara avaliam que a situação agora é muito delicada. Desde que conseguiu se safar da primeira denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o governo não conseguiu reorganizar a base aliada a contento.

As traições dos aliados somadas ao desgaste de quem votou para manter o peemedebista na cadeira presidencial provocaram um trauma que o Palácio do Planalto tentou curar por meio de demissões de indicados por “traidores” no segundo escalão. Mas a operação não sanou todos os problemas que Temer colecionou ao conseguir enterrar o prosseguimento da investigação de que teria cometido corrupção passiva.

Agora, o presidente está refém do conteúdo que embasará uma nova denúncia por obstrução à Justiça, formação de quadrilha ou os dois.

— Desde o momento seguinte à votação da última denúncia, o governo vem tentando reorganizar a base. O presidente ainda não conseguiu se safar dessa realidade que é a fragilidade da base. Se de fato vier uma nova denúncia, quanto maior o desgaste, mais corroída fica a relação dele com a base. Vamos ver se vai vir essa denúncia, se é consistente. Se tiver, entorna o caldo — opina o líder do PSD, Marcos Montes (MG).

O líder do DEM, deputado Efraim Filho (PB), diz que o Planalto ainda não começou a mobilizar a tropa aliada para se defender de uma nova flechada de Janot, mas concorda com o colega do PSD sobre a inconsistência da base, pouco menos de um mês após o arquivamento da denúncia por 263 votos a 227, no dia 2 de agosto.

— A base apresenta certa vulnerabilidade. E é imprevisível o que vai acontecer, dependendo dos elementos da nova denúncia — diz Efraim.

Para piorar, a base está irritada com o ministro Antônio Imbassahy (PSDB), responsável pela articulação política, o que deteriora ainda mais a situação de Temer no Congresso. Inicialmente, os partidos do chamado centrão, notadamente o PP, o PTB e o PRB, pediram a saída do tucano diante do comportamento do PSDB em relação ao governo. Na votação do dia 2, o PSDB rachou e só metade da bancada votou contra a denúncia.

Se, na primeira vez, o governo lançou mão da liberação de verbas para convencer deputados de que valia a pena votar para manter Temer, esse recurso agora já não está mais tão disponível. O Planalto já gastou grande parte da cota de emendas para acalmar os parlamentares. Eles reclamam que foram feitas promessas vãs de melhor tratamento. As principais reclamações são sobre Imbassahy e Moreira Franco, secretário-geral.

Conforme antecipado ontem na coluna Poder em Jogo, de Lydia Medeiros, desde o dia 2 de agosto o governo reduziu drasticamente a liberação para o empenho de emendas parlamentares, que é a promessa de pagamento futuro dos valores destinados a projetos de deputados e senadores.

EMENDAS COM ESTOQUE LIMITADO

Em junho e julho, houve uma explosão na liberação das emendas do Orçamento da União de 2017, isso sem contar os pagamentos de emendas de anos anteriores, que também aumentaram no período. Segundo dados enviados pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) ao Ministério Público, a liberação de emendas apenas para os deputados caiu de cerca de R$ 2 bilhões, em julho, para apenas R$ 41,8 milhões até o dia 23 de agosto.

Com a iminência da chegada de uma nova denúncia, a expectativa era a de que seria retomado fôlego na liberação dos recursos. Mas a base está frustrada porque, nos últimos dias, o governo cancelou alguns repasses, seja por problemas técnicos nas obras indicadas ou por remanejamentos dentro do arrocho fiscal.

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